Saúde Mental na NR1: O Ponto Cego da SST que Ninguém Está Falando
A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR1) trouxe o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) para o centro da estratégia das empresas. No entanto, enquanto o mercado se apressa em preencher planilhas de riscos físicos e químicos, um "ponto cego" perigoso permanece ignorado: a dimensão subjetiva do sofrimento psíquico no trabalho.
Na GuinaPsi, acreditamos que a verdadeira Segurança e Saúde no Trabalho (SST) não se faz apenas com EPIs, mas com a compreensão da psicodinâmica das relações laborais.
O Equívoco da "Checklist" Psicossocial
A maioria das consultorias de SST trata a saúde mental como um item de conformidade burocrática. Aplica-se um questionário genérico, classifica-se o risco como "baixo" e segue-se adiante. O que ninguém está falando é que o risco psicossocial não é um dado estático, mas um processo vivo.
Como aponta a psicodinâmica do trabalho, o sofrimento surge quando o sujeito não consegue transformar o trabalho em um espaço de realização. Quando a organização do trabalho é rígida e impede a inteligência prática do trabalhador, o corpo adoece.
"O sofrimento começa quando a relação do sujeito com o trabalho é bloqueada, quando o sujeito não pode mais intervir na organização do trabalho para torná-la mais favorável ao seu desejo."
NR1 e o Inventário de Riscos: Além do Óbvio
O Inventário de Riscos previsto na NR1 deve contemplar os riscos psicossociais. Mas como inventariar o que é invisível? O erro comum é focar apenas no indivíduo (o "colaborador estressado") e ignorar a patologia da gestão.
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O que a SST comum faz |
O que a GuinaPsi propõe (Visão Clínica) |
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Foca no controle de sintomas (burnout, ansiedade). |
Foca na análise da organização do trabalho e da liderança. |
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Oferece palestras motivacionais e meditação. |
Realiza o mapeamento de riscos psicossociais reais e escuta ativa. |
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Trata a saúde mental como custo de conformidade. |
Trata a saúde mental como pilar de sustentabilidade e produtividade. |
A Psicanálise no Chão de Fábrica
A psicanálise nos ensina que o trabalho é um dos principais mediadores da nossa identidade. Quando a NR1 fala em "preservar a saúde", ela deve incluir a preservação da dignidade e da palavra do trabalhador. Um ambiente onde o silêncio é a regra é um ambiente onde o acidente de trabalho é apenas uma questão de tempo.
O controle emocional nas empresas não deve ser a busca por robôs resilientes, mas por sujeitos que possam falar sobre suas dificuldades sem medo de retaliação.
Referências Bibliográficas Reais
[1] DEJOURS, Christophe. A Loucura do Trabalho: Estudo de Psicopatologia do Trabalho. 5ª ed. São Paulo: Cortez-Oboré, 1992. (Capítulo 2: Sofrimento e Defesa, pág. 45).
[2] BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) - Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Brasília: 2020.
[3] FREUD, Sigmund. O Mal-Estar na Civilização (1930). Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Volume XXI. Rio de Janeiro: Imago, 1996. (Pág. 85, sobre a importância do trabalho para a economia da libido).
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